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Roteiro: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney (história)
Música: Nicholas Britell
Fotografia: James Laxton
Direção de Arte: Mabel Barba
Figurino: Caroline Eselin-Schaefer
Elenco Principal: Alex Hibbert (Little)
Ashton Sanders (Chiron)
Trevante Rhodes (Black)
André Holland (Kevin)
Naomie Harris (Paula)
Mahershala Ali (Juan)
Janelle Monáe (Teresa)
Jharrel Jerome (Kevin aos 16 anos)
Jaden Piner (Kevin aos 9 anos), à direita nas fotos:
Shariff Earp (Terrence)
Duan Sanderson, 'Sandy' (Azu)
Herman McCloun, 'Caheej' (Estivador)
Rudi Goblen (Gee)
Edson Jean (Mr. Pierce)
Patrick Decile (Terrel)
Stephon Bron (Travis)
A importância de Moonlight receber o Oscar de melhor filme ®
Eu posso me lembrar do tempo em que quando a tela era
ocupada somente por atores e atrizes negros, percebia-se um certo estranhamento
e logo algum comentário estúpido queria tirar o brilho do trabalho.
E quando dois homens se beijavam em cena?
O cinema vinha abaixo sob gritos e gargalhadas.
Será que este tempo já passou?
Que tipo de incômodo estas cenas ainda representam?
O bom gosto (como julgá-lo?) e a inteligência do espectador
determinam a qualidade de uma obra de arte?
Posso produzir um filme experimentando recursos que façam
dele uma obra popular, de mais fácil aceitação ou optar por uma linguagem e um
tema mais elaborado e difícil - um “filme de arte”.
Nas duas possibilidades, o importante não é trazer
entretenimento e a emoção?
Um blockbuster pode cumprir este papel.
Uma comédia romântica, um filme de ação, um musical.
Um romance histórico, uma cinebiografia. O mesmo vale para outros canais de expressão:
o livro, o quadro, a escultura.
Diferentes grupos humanos querem ver a si mesmos
representados.
O resultado final dessa exposição deve ser a aceitação
social.
A paz.
E é bem comum o fato daqueles que não precisam se preocupar
com isto sentirem-se de alguma forma desagradados.
O incômodo vem da sensação, consciente ou não, de poder ter
sua estabilidade perturbada.
A pessoa branca, o casal heterossexual, o homem branco
X
A pessoa negra, o casal homossexual, a mulher
Percebo em mim, por exemplo, um incômodo com a palavra
“empoderamento”, tão em moda entre algumas mulheres.
E fico analisando esta impressão, tentando encontrar
explicações.
Disse a mim mesmo que “esta palavra significa o poder de um
sobre o outro e por isso talvez não fosse tão adequada quanto ‘igualdade’”.
Mas aquele que ocupa a posição confortável, privilegiada,
pode tentar deter o movimento dos menos favorecidos sem parecer egoísta?
A história mostra que não.
Pessoalmente (para mim, única forma possível para se julgar
o bom gosto), Moonlight cumpriu o papel de entretenimento.
Trouxe descanso, viagem mental e porque não dizer, o
incômodo que uma obra pode trazer.
Gostei do filme.
Além dos conceitos de cor e sexualidade, ele trata de um
grupo excluído por sua condição econômica e social.
Fico imaginando se um dia num filme como este o foco poderá
deixar de ser a cor da pele ou a orientação sexual para ser simplesmente uma
história de amor e a luta por uma situação mais digna.
Isto nunca será possível se não houver visibilidade.
O cinema traz esta possibilidade e o prêmio do Oscar a
amplia.
Ontem mesmo, as sessões para o “melhor filme” estavam
esgotadas em muitas salas.
Alguns vão gostar, outros não, absolutamente normal.
Mas muitos vão assistir e pensar.
E se os discursos de ódio, tão em moda, se o preconceito,
tão disfarçado, não se impuserem pela força, a visibilidade vai acontecer cada
vez mais.
E vai acontecer de qualquer modo.
Porque as pessoas não querem e não vão mais se esconder.
Ainda que sob críticas, vaias, agressão, incompreensão e
gargalhadas.
Sob a luz da lua, seres humanos de todos os tipos tentam
vencer barreiras culturais, individuais e coletivas.
Sob a luz da mesma lua há pessoas que só pretendem amar e
ser amadas.
Nilton Ramos
® Texto registrado - Todos os direitos reservados.