Mostrando postagens com marcador Juliette Binoche. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juliette Binoche. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ACIMA DAS NUVENS

Clouds of Sils Maria




























































































































































































Trailer:





Direção: Olivier Assayas (na foto, em Locarno)















































A alma deste longa-metragem é o processo de criação do ator.
A sensibilidade levada ao extremo e a quase fusão da vida real com aquela que se pretende levar ao palco.
A estrela Maria Enders (Juliette Binoche) hesita em aceitar a proposta para reencenar seu grande sucesso de vinte anos atrás: a peça "Maloja Snake".
Só que desta vez, a personagem entregue a ela seria a mulher mais madura da história.
Na peça, a bem sucedida Helena se envolve emocionalmente com Sigrid, muitos anos mais jovem. A garota, interesseira e sádica, usa os sentimentos de Helena para vencer financeiramente. 
Desequilibrada, a parceira mais velha se entrega ao suicídio.































Conclusão (spoilers):


Maria aceita a missão e segue com a assistente Valentine (Kristen Stewart) para uma casa nas montanhas, em Sils Maria, exatamente onde o autor criara o texto do espetáculo no passado.
Ela acredita que o local possa auxiliar em sua preparação, já que o título da peça faz menção ao belo fenômeno que ali se apresenta (Maloja Snake): nuvens serpenteiam pelo vale, criando um efeito mágico.



















Valentine tem que lidar de perto com os surtos e o temperamento difícil da atriz.








Além do processo de criação, propriamente dito, dar vida à Helena expõe Maria à ideia da passagem do tempo e da diferença de comportamentos na juventude e na maturidade.
Ela pensa a todo momento em abandonar o projeto.
Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz), a escolhida para interpretar Sigrid na nova montagem, ocupa com frequência as manchetes virtuais, que buscam noticiar cada passo de sua vida atribulada: problemas com drogas e alguns escândalos sentimentais.





























No primeiro encontro, a garota aparece com um novo namorado, casado com outra profissional do teatro, segundo os sites de fofoca. Demonstra muito respeito e admiração pelo trabalho da veterana, convencendo-a definitivamente a aceitar o desafio.























A personalidade de Jo-Ann fica evidente quando a estreia se aproxima. Ela nega um pedido da consagrada Maria, que tentava modificar um pequeno detalhe para valorizar determinada cena.
A notícia da traição do amante de Jo-Ann Ellis repercute estrondosamente quando a esposa traída tenta pôr fim à própria vida.
Nas cenas finais, vemos Maria Enders na noite de estreia, recebendo em seu camarim um diretor interessado em contratá-la para dar vida a uma mulher moderna, em sua próxima ficção.
Maria argumenta que o papel seria perfeito para a novata Jo-Ann.
Mas o rapaz demonstra uma compreensão mais profunda sobre a passagem dos anos. Surpresa, ela ouve nesta conversa o que seria uma saída definitiva para os conflitos que enfrentara nos últimos meses. Segundo sua fala simples, teríamos todas as idades em nós mesmos e uma profissional imatura esvaziaria a força que pretendia dar à protagonista do filme.
A futilidade, portanto, estaria definitivamente ligada ao caráter.
Belíssimo filme.
Bela e imensa Binoche.








































































































(As atrizes Kristen Stewart, Juliette Binoche, Chloe Grace Moretz
e o diretor Olivier Assayas, no Festival de Cannes 2014)






















sexta-feira, 17 de outubro de 2014

HORAS DE VERÃO

L'heure d'été






































































































Hélène Marly, nascida com o sobrenome Berthier, reúne os três filhos em sua propriedade, à beira de um lago, durante verão francês.
Ela comemora seus 75 anos.
Adrienne, vive nos Estados Unidos com o namorado, Jérémie, com a esposa e os filhos, tenta se adaptar ao novo trabalho na China, e Frédéric, único familiar a viver em Paris, comemoram em volta de uma mesa no jardim.


























Na casa, trabalha a fiel cozinheira Éloïse, que por muitos anos testemunhou a vida de Hélène ao lado do tio, o artista plástico Paul Berthier.
O local é na verdade uma espécie de museu, onde além das obras do tio-avô de seus filhos, a senhora coleciona obras de outros pintores, esculturas, peças e móveis de autores famosos.
Preocupada com o destino do sítio, e principalmente da arte que ele abriga, chama Frédéric para uma conversa sobre o que fazer com o legado, depois de sua partida. Conhecendo os filhos e ciente de que vivem em outros países, prevê a venda da casa e preocupa-se com a coleção e com a preservação de suas memórias.



























Conclusão (spoilers):


Algum tempo depois, o irmãos se reunem, desta vez para despedirem-se da mãe. O assunto da casa vem à tona e, como Hélène previra em vida, os dois irmãos mais novos pretendem vendê-la e leiloar as obras de arte, para usufruírem do dinheiro arrecadado.
Memórias e novas descobertas a cada objeto que deixa as paredes e os armários. A história de um romance da mãe com o tio, insinuado por algumas pessoas, é confirmada a Frédéric por um velho amigo do casal.
Mas o tempo traz e exige mudanças e todas as lembranças materiais são retiradas no ambiente.
Éloïse recebe de recordação, um vaso onde por anos a fio colocara flores para agradar a patroa. Ela nem desconfia que leva descuidadamente para casa uma valiosa obra.
Adrienne anuncia seu casamento em Nova York e Jérémie, a decisão de se estabelecer na China.
Frédéric visita com a esposa o Museu d'Orsay, em Paris, vendo agora em exposição alguns móveis com os quais conviera. Para livrarem-se de alguns impostos, parte das peças foram doadas ao estado.
Nas cenas finais, seus dois filhos adolescentes organizam um festa na casa, agora vazia.
Som barulhento, bebidas, sexo e algumas drogas recreativas.
Caminhando com o namorado, em meio às cerejeiras, Sylvie, filha de Frédéric, recorda uma conversa com a avó, no verão, passeando e colhendo cerejas. Emociona-se e segue adiante para aproveitar a vida, a natureza e o amor de seus dias de juventude.
Belíssimo filme sobre a passagem do tempo, a transcendência dos objetos e dos momentos de amor. Ainda que proibidos.




























domingo, 8 de setembro de 2013

CAMILLE CLAUDEL 1915




















































































































































Ficha Técnica:


Gênero: Drama Biográfico

Duração: 95 min

Ano de Lançamento: 2013 (França)


Trailer:





Direção: Bruno Dumont





























Roteiro: Bruno Dumont

Livremente inspirado
nas obras e na correspondência de


Paul Claudel (na foto em 1905)




e na correspondência e arquivos médicos de

Camille Claudel (na foto em 1890)






























Fotografia: Guillaume Deffontaines

Direção de Arte: Riton Dupire-Clément

Figurino: Alexandra Charles e 
Brigitte Massay-Sersour




Elenco Principal:


Juliette Binoche (Camille Claudel)





























Jean-Luc Vincent (Paul Claudel)




















Emmanuel Kauffman (Padre)

















Robert Leroy (Médico)
















Marion Keller (Srta Blanc)
Armelle Leroy-Rolland (Noviça) 
Régine Gayte (Irmã Régine)
Claire Peyrade (Residente - Banho)
Florence Philippe (Irmã Florence)
Myriam Allain (Residente)
Sandra Rivera (Irmã Sandra)
Eric Jacoulet (Interno)
Nicole Faurite (Irmã Nicole)



Atores não identificados







































































































































































Aparentemente lúcida, a escultora Camille Claudel é internada em uma clínica para doentes mentais por seus familiares.
Por diversas vezes, destruíra suas esculturas e demonstrara sintomas de perseguição, acusando seu ex-marido, o também escultor Auguste Rodin, por ter acabado com sua vida e reputação.

























No ano de 1915, durante a guerra, ela é levada para uma instituição religiosa para doentes em estado grave e alterna momentos de desespero e depressão, com a esperança de viver livre.























Abandonada pela mãe, que nem sequer escreve para a filha, percebe a única chance de deixar o local, na figura do irmão Paul Claudel, escritor e diplomata em ascensão.









Respondendo às suas cartas, ele decide visitá-la.




















As cenas do filme mostram os momentos desta espera e expectativa, enquanto a artista sonha com uma vida normal.

























Paul, friamente, não demonstra interesse em ajudá-la, muito menos em ouvir o conselho do psiquiatra local, que avisa que Camille está pronta para voltar a viver em sociedade.




























As legendas finais informam que Claudel viveu os últimos 29 anos de sua vida internada, recebendo poucas vezes a visita do irmão e encontrando por fim, a morte.










Apesar da sempre impressionante interpretação de Binoche, o filme é de um ritmo tão lento, que é capaz de transmitir o tédio e a angústia em que vive a personagem. Em determinadas cenas, chega-se a torcer por uma única palavra.









Triste história real de tão sensível e talentosa artista.




No set


Juliette Binoche com o diretor Bruno Dumont























e lançando o filme no 63º Festival Internacional de Cinema de Berlim




















































(Camille Claudel, cerca de 1885)



























(Camille Claudel, 1929 no hospital
psiquiátrico de Montdevergues.
[A artista faleceu em 1943,
no asilo de Vaucluse])



























(Paul Claudel, 1927)




Duas Esculturas de Camille Claudel































(La Sirène ou La Joueuse de flûte  - 1900-1905)








(L'Âge mûr ou La Destinée
ou Le Chemin de la vie ou La Fatalité -
1894-1900, Museu D'Orsay, Paris)